Atividades com a carnaúba, principal símbolo do Piauí, podem acabar no estado por falta de mão de obra. Em Campo Maior-PI, cerca de 1.500 famílias vivem da extração da palha para a produção da cera de carnaúba. O número corresponde à metade da quantidade que realizava o trabalho há 30 anos.
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Entre os motivos para a redução está o desinteresse das novas gerações em seguir uma tradição familiar que rende pouco dinheiro e exige muito esforço, como a exposição a temperaturas cada vez mais altas.
O sítio 'Sossego dos Rocha', é o refúgio do patriarca de uma das mais antigas famílias de extrativistas da palha da Carnaúba na região. O aposentado Fábio Rocha tem 93 anos, enfrenta um câncer de pele no rosto e escuta com dificuldade.
Apesar disso, a memória ativa carrega lembranças de um tempo difícil, quando a retirada da palha da carnaúba para produção de cera era feita manualmente.
Tirava, riscava, batia, botava no sol, secava, batia e tirava o pó. A cera a gente derretia, lembrou Fábio.
A produção e a venda da cera permitiram o sustento da família, que conta com cinco filhos, que também aprenderam o ofício, mescmo com o incentivo ao estudo.