
Pouca gente sabe, mas o Piauí tem extração de diamantes e pode estar prestes a multiplicá-la. No município de Gilbués, no Sul do estado, a DM Mineração anunciou um plano de expansão que pretende elevar em dez vezes a extração da pedra preciosa na região.
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Com atividade já consolidada no ramo, a empresa atualmente produz cerca de mil quilates por mês, mas projeta chegar à marca de 10 mil quilates mensais já em 2026. As informações foram confirmadas pelo sócio proprietário da mineradora, o israelense Shukry Layousse.

A região de Gilbués é explorada como uma área diamantífera há, pelo menos, seis décadas. Em meados da década de 60, a área atraía garimpeiros de todo o Brasil, que extraíam o mineral de forma rudimentar e ilegal. Contudo, em 2006, o israelense chegou à região e iniciou suas pesquisas com o objetivo de descobrir o potencial de Gilbués.
Eu descobri áreas que não tinham sido garimpadas. Concluí a pesquisa e, em 2012, o relatório foi aprovado. A portaria de lavra foi publicada no Diário Oficial da União e a mineração ficou completamente legalizada, afirmou o empresário.

Desde então, a DM Mineração opera com as licenças de operação, ambientais e de recuperação de áreas degradadas, além de maquinário pesado e estrutura para lavra sustentável.
Atualmente, a operação de extração envolve cerca de 20 trabalhadores, entre empregos diretos e indiretos, incluindo operadores de maquinário pesado que vêm de outras regiões. Segundo Shukry Layousse, esse número pode aumentar com a expansão da extração, já que a mineradora possui uma reserva de 9 milhões de quilates, com potencial para chegar até 50 mil quilates extraídos por mês, a depender do maquinário.
Hoje, estamos produzindo mil quilates por mês, porque estamos trabalhando com maquinário e uma planta que só lava essa quantidade. Mas, no próximo ano, vamos colocar uma planta com tecnologia avançada e mais maquinário para extrair mais. Em 80 anos, a reserva não vai acabar, comenta.
A produção de diamantes colocou Gilbués no cenário internacional. Com a legalização da atividade, a empresa exporta diamantes para diversos países.
Estamos explorando diamantes e explorando o mundo. Gilbués entrou no mapa global, finalizou Shukry Layousse.

Os diamantes extraídos em Gilbués podem até não impressionar pelo tamanho, mas estão entre os melhores do país pela sua qualidade. Com cerca de cinco quilates, as pedras apresentam características voltadas para o mercado, com excelente coloração e pureza.
São diamantes pequenos, finos, mas com qualidade muito boa. Não estão entre os melhores do mundo, mas estão entre os melhores do Brasil na categoria de até cinco quilates. Em Minas Gerais tem diamante rosa de 30 quilates que vale 10 milhões de dólares. Aqui, sai diamante pequeno, mas limpo, branco e valorizado, explica o empresário.
O empresário e conselheiro de mineração na Confederação Nacional da Indústria no Piauí (CNI), Paulo de Tarso, explica que para mensurar o diamante é preciso avaliar a partir de quatro Cs: corte (cut), cor (color), pureza (clarity) e peso em quilates (carat). Cada um desses fatores influencia diretamente o preço da gema.
O Piauí tem um diamante de bom tamanho, de boa cor e com uma pureza boa, portanto tem três dos quatros ‘Cs’. O corte não vem ao caso, porque é só para os lapidados. Mas aqui, temos essas três características e isso quer dizer que o diamante do Piauí é muito bom. O diamante é uma pedra que nunca vai perder valor, porque existe um mercado para isso, destaca.
Mas não é só o diamante de Gilbués que tem chamado atenção dos especialistas em mineração. Outro exemplo bem-sucedido é o da opala, uma pedra preciosa que só é encontrada em qualidade nobre na cidade de Pedro II e na Austrália. O Piauí tem a maior jazida brasileira de pedras que produzem lampejos das sete cores do arco-íris e cujos valores podem chegar a US$ 20.000 por quilate.
A opala já está praticamente constatada onde e como pode ser encontrada, mas é um pouco difícil de extrair. Ninguém investe na extração porque é difícil de mensurar o valor. Já o diamante é mais fácil de mensurar e saber o que vai ser encontrado, explica o empresário Paulo de Tarso.
Segundo o especialista, o estado também possui um potencial escondido para a extração de pedras preciosas, mas que, por falta de estudos, ainda não foi explorado. Isso devido ao fato de que os estados do Piauí e Maranhão ficaram de fora dos estudos de mineração no Norte do Brasil, o que impediu a mensuração precisa do potencial mineral dessas regiões.
Existe o potencial para ametista e esmeralda que ainda não foi explorado. Por exemplo, naquela área de Cristalândia tem cristais de todo o tipo, também em Buriti dos Montes, que fica perto de Pedro II. Lá, em Buriti dos Montes, tem a famosa opala de fogo que não está sendo explorada. Outra área é a cidade de Batalha, que tem ametista e nunca foi pesquisada, conclui.

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