Pesquisadores acreditam que uma das primeiras representações de um beijo está registrada em pinturas rupestres no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí.
Isto também pode lhe interessar: A Saga da Barragem Pedra Redonda que transformou a paisagem piauiense
O Site português Sapo Viagens publicou matéria sobre o Parque Nacional Serra da Capivara, localizado no Piauí, que tem a maior concentração de figuras rupestres do mundo. Em 2024, a equipe veio ao Piauí a convite do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Visit Brazil Travel Association (VBRATA). As pinturas retratam o cotidiano das civilizações e uma das que mais chamou a atenção foi a cena do beijo, registrada há mais de 12 mil anos.
Para a equipe, o maior fascínio recai na variedade dos episódios retratados.
“Na Serra da Capivara, encontramos registros pré-históricos sobre o quotidiano de quem habitou a terra há mais de 12 mil anos. Se visitar este parque, prepare-se para ver cenas de sexo (incluindo orgias), de partos ou de decapitação, entre tantas outras, como a do amoroso beijo. Há muitas figuras para ver e interpretar que mostram factos curiosos para além das cenas mais habituais – caça e animais”, destacou a publicação.
No local, a equipe conta ter encontrado a figura rupestre mais amorosa que já foi vista. A cena, registrada há mais de 12 mil anos, é uma das grandes atrações do lugar que, entre desfiladeiros e monumentos geológicos, leva o turista a viajar pela história do homem.
A cena do beijo pode ser vista no Sítio Boqueirão da Pedra Furada, cuja escavação iniciou na década de 1970, durante a missão franco-brasileira conduzida pela arqueóloga Niède Guidon, sendo um dos mais populares e surpreendentes, podendo, inclusive, ser visitado durante a noite.
Na serra, a equipe foi conduzida por guias profissionais que cresceram e conhecem a região e que relataram as experiências e fatos históricos do parque, como Marcelo Ribeiro, 40 anos, que levado pela curiosidade, começou a escavar na infância e se formou em Antropologia.
Quem também esteve com a equipe da Sapo Viagens foi o técnico de conservação do parque, Giordanno Macedo, 45 anos. Ele falou à reportagem que se não fosse o parque da Serra da Capivara, estava em apuros.
“Eu trabalhava na roça e estava ferrado porque hoje chove menos”, explica.
Um fato que chama a atenção é que os desenhos atravessaram séculos e milênios e, de acordo com o técnico de conservação, os antepassados não tocavam nas pinturas rupestres porque acreditavam que elas eram mal-assombradas. "E, mesmo nos nossos dias, os avós diziam isso aos filhos", explica Giordanno, citando ainda a baixa umidade no semiárido auxilia na conservação da pintura.
Você sabia?
O parque abriga a maior concentração de pinturas rupestres conhecidas das Américas. As pinturas não só retratam aspectos cotidianos, como caça e rituais, mas também mostram interações afetivas e sociais, como registros de atos sexuais, beijos e abraços.
Além das pinturas rupestres, o Parque oferece vistas deslumbrantes, cânions, cavernas e o icônico monumento natural da Pedra Furada.